Secretaria faz intervenção na Escola de Sabores Oscar e afasta diretora

Secretaria faz intervenção na Escola de Sabores Oscar e afasta diretora


A diretora da Escola de Sabores Oscar, Francisnilde Miranda da Silva, foi afastada das funções administrativas após a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) determinar, no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) desta terça-feira (5/5), intervenção administrativa temporária na unidade, localizada na 907 Sul, em Brasília.

A medida ocorre em meio a denúncias de falta de insumos, como panelas e alimentos, e de tentativas de improviso com materiais inadequados, que vinham comprometendo as aulas práticas dos cursos técnicos de gastronomia, confeitaria e qualificação profissional oferecidos pela escola. O caso foi relevado pelo Metrópoles. O problema atingia todos os turnos e levou à suspensão das atividades práticas na escola desde fevereiro.

Apenas três aulas práticas em meses: alunos relatam formação comprometida em escola técnica do DF
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Apenas três aulas práticas em meses: alunos relatam formação comprometida em escola técnica do DF

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

Cursos de até 800 horas têm rotina travada por falta de laboratório em escola pública de gastronomia
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LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

Mesmo com estrutura para prática, escola do DF mantém cursos técnicos quase só na teoria, dizem estudantes
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LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

A Escola de Sabores Oscar é uma instituição pública que integra a modalidade de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) e divide espaço com o Centro Integrado de Educação Física (CIEF) e a Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (EAPE).

Com a intervenção, a gestão da unidade passa a ser assumida, de forma temporária, por dois meses, por uma equipe técnica indicada pela Coordenação Regional de Ensino. A diretora afastada deixa a condução administrativa durante o período.

“A intervenção tem como objetivo restabelecer a normalidade administrativa, pedagógica e operacional da unidade, além de reorganizar os processos internos e garantir a continuidade das atividades”, disse a Secretaria em nota.

A pasta também autorizou, de forma excepcional, a aquisição dos insumos necessários para o funcionamento da escola. A expectativa é de que as atividades sejam normalizadas ainda nesta semana.

Procurada pelo Metrópoles, Francisnilde não quis se manifestar sobre o afastamento.

Cozinha improvisada

O Metrópoles esteve na instituição e ouviu alunas da unidade, procurada principalmente por quem busca empreender, mudar de carreira ou aumentar a renda. Segundo elas, a formação tem esbarrado em um problema central da área: aprender gastronomia sem conseguir colocar a mão na massa.

As estudantes chegaram a relatar paralisação das atividades por uma semana, entre os dias 13 e 17 de abril, como forma de chamar a atenção da direção para o problema, mas que não obeteve resultados.

A aposentada Francisca Rodrigues, de 62 anos, que já vendia doces de confeitaria, buscou o curso para ampliar a renda com a produção de marmitas. Ela conta que precisou recorrer a improvisos para acompanhar as atividades.

“Já usei saco plástico para pesar alimentos porque não tinha material adequado e copos descartáveis para medir ingredientes. A improvisação virou rotina. Como vou sair formada sem saber executar as técnicas? Se pedirem para desossar um frango, eu não vou saber”, afirma a estudante.

A professora Eliomar Alencar, de 48 anos, aponta que a falta de materiais também afeta a segurança alimentar. “Tem um rolo para dividir entre duas turmas. Não temos tábuas nem bowls suficientes. Mas a gente é obrigada a fazer mesmo sabendo que é errado”, afirma.

Já a administradora Helane Araújo, de 42 anos, afirma que o conteúdo teórico não tem sido suficiente e muitas vezes sem útilidade. “Aprendemos a teoria, mas não conseguimos praticar. Já vimos praticamente todo o conteúdo teórico. Agora os professores precisam recorrer a vídeos, filmes e cartazes, acabam repetindo algo que já não tem muito mais o que ser dito”, relata.

Apesar das críticas, a estudante destacou a qualidade do corpo docente. “Os professores são muito bons, sabem o que estão ensinando. O problema é que falta estrutura para colocar isso em prática”, resume Helane.

As inscrições para os cursos da Escola de Sabores Oscar são abertas duas vezes ao ano, por meio do site da Secretaria de Educação do DF, com seleção realizada por sorteio.



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