O avanço da inteligência artificial no sistema de segurança pública de Goiás começa a produzir resultados concretos nas ruas. Lançado oficialmente em janeiro deste ano, o programa IA Contra o Crime já auxiliou na solução de mais de 1,3 mil ocorrências policiais no estado, segundo dados divulgados pelo governo goiano.
A tecnologia reúne câmeras de videomonitoramento, cruzamento de dados e sistemas de inteligência artificial capazes de identificar movimentações suspeitas, localizar veículos e compartilhar alertas em tempo real com equipes policiais espalhadas pelo estado.
Para o governador Daniel Vilela, a ferramenta representa uma mudança na estratégia de enfrentamento ao crime organizado e aos delitos urbanos.
“A plataforma representa um grande salto tecnológico na forma como o Governo de Goiás combate o crime”, afirmou.

Segundo ele, o objetivo é criar um sistema integrado de vigilância e resposta rápida.
“Formamos um cinturão digital em Goiás, com câmeras e inteligência artificial conectadas em rede para identificar movimentos fora do padrão, localizar veículos e suspeitos e orientar equipes em tempo real”, disse.
“A ideia é fechar rotas usadas pelo crime, especialmente nas divisas e nas áreas de maior circulação, com resposta mais rápida e mais precisa”, completou.
Além das mais de 1,3 mil ocorrências solucionadas, o balanço do programa aponta a recuperação de mais de 880 veículos e a realização de 830 prisões, incluindo mais de 180 cumprimentos de mandados judiciais.
Nos bastidores da segurança pública goiana, a avaliação é de que a tecnologia passou a funcionar como uma central de inteligência integrada, ampliando a capacidade de monitoramento e reduzindo o tempo de reação das forças policiais.
Um dos casos citados pelo governo ocorreu em 9 de abril, quando um homicídio registrado no Setor Central de Goiânia foi esclarecido poucas horas após o crime. A vítima era um homem em situação de rua.
Com apoio das imagens captadas por câmeras da região, equipes de inteligência conseguiram identificar características do veículo usado pelos suspeitos. Dois homens foram localizados e presos no mesmo dia.
Cinco dias depois, o sistema também ajudou a desmontar um esquema de entrega de drogas em Goiânia e na região metropolitana. Segundo o governo, informações geradas pela plataforma auxiliaram equipes da Rotam a antecipar a movimentação dos suspeitos, resultando em prisão em flagrante e apreensão de entorpecentes no Parque Oeste Industrial.
Outro caso destacado ocorreu logo após o lançamento oficial do programa, em janeiro, quando uma quadrilha especializada no golpe do falso bilhete premiado foi monitorada e presa na capital goiana.
O grupo, vindo do Rio Grande do Sul e já conhecido das forças de segurança, havia aplicado um golpe de R$ 35 mil contra uma idosa. Quatro suspeitos acabaram presos após monitoramento realizado com apoio da nova tecnologia.
A aposta do governo é transformar o sistema em uma espécie de malha digital permanente de vigilância e inteligência policial, ampliando o controle em regiões de fronteira, corredores logísticos e áreas consideradas estratégicas para o combate à criminalidade.

