O brasileiro Thiago Ávila, preso após a interceptação de uma flotilha com destino à Faixa de Gaza, tem sofrido ameaças dentro da prisão em Israel. Segundo informações repassadas ao Metrópoles pela família nesta segunda-feira (4/5), ele teria ouvido ameaças de morte e foi intimidado com a possibilidade de permanecer detido por até 100 anos.
De acordo com a esposa do ativista, Lara Souza, Ávila está em cela solitária, sob luzes intensas ligadas durante 24 horas, condição que causa desorientação e privação de sono. Ela relatou ainda que o brasileiro enfrenta frio extremo, além de ser submetido a interrogatórios frequentes, que chegam a durar até oito horas.
Ainda segundo o relato, Ávila é mantido vendado sempre que deixa a cela, inclusive durante atendimentos médicos. Os interrogatórios, conforme a esposa, têm se concentrado principalmente na atuação da Global Sumud Flotilla, o que, segundo ele, indicaria uma tentativa de criminalizar a ação humanitária do grupo.
A Justiça de Israel decidiu, no domingo (3/5), prorrogar por mais dois dias a prisão de Thiago Ávila e do ativista espanhol Saif Abu Keshek, detido na mesma operação. Ele passará por uma nova audiência prevista para terça-feira (5/5), ao meio-dia, no horário local.
Segundo a defesa, foram apresentadas cinco acusações contra o brasileiro, relacionadas à suspeita de associação com terrorismo e colaboração com o inimigo em período de guerra. Os advogados afirmam, no entanto, que não há provas formais que sustentem as acusações, que ainda não resultaram em denúncia.
Prisão
Ávila foi preso na última quarta-feira (29/4) durante uma ação das forças israelenses contra a flotilha da Global Sumud, que seguia em direção a Gaza com ajuda humanitária. A interceptação ocorreu em águas internacionais, nas proximidades da Grécia.
De acordo com a organização de direitos humanos Adalah, o brasileiro relatou ter sido mantido em isolamento desde a detenção e afirmou aos advogados que sofreu agressões durante a abordagem, incluindo espancamentos que o fizeram desmaiar.
A flotilha reunia cerca de 22 embarcações e 175 ativistas, que foram colocados sob custódia durante a operação, segundo os organizadores.
O governo de Israel sustenta que os participantes da missão têm ligação com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), entidade sancionada pelos Estados Unidos por suposta atuação em favor do Hamas. Já os organizadores da flotilha negam qualquer vínculo e afirmam que a iniciativa tem caráter exclusivamente humanitário.
Os governos do Brasil e da Espanha divulgaram uma nota conjunta condenando a detenção dos ativistas. No comunicado, os países afirmam que a ação de Israel viola o direito internacional e pode ser questionada em instâncias judiciais internacionais.


