Mateus Costa-Ribeiro tem apenas 26 anos e já alcançou um alto patamar no ramo da tecnologia. Ao lado dos sócios Henrique Vaz e Michael Mac-Vicar, o advogado é um dos fundadores da startup jurídica Enter, atualmente avaliada em mais de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 4,89 bilhões).
“Pela primeira vez, uma empresa brasileira de IA superou uma avaliação de 1 bilhão de dólares e se tornou um unicórnio. Anunciamos também que a Enter levantou um investimento de US$ 100 milhões para construir a empresa líder em IA na América Latina”, escreveu o jovem recentemente em sua conta no Linkedin.
Uma empresa unicórnio é aquela que foi avaliada em mais de um bilhão de dólares antes mesmo de abrir o seu capital em bolsas de valores e se tornar uma Sociedade Anônima.
Atuando no ramo cível e trabalhista, a proposta da empresa é automatizar o ciclo completo das ações, da negociação de acordos à redação de peças processuais, com agentes de IA executando as tarefas e escritórios parceiros fazendo auditoria e revisão.
Hoje, mais de 300 mil processos judiciais por ano passam pelo sistema da empresa e o produto virou infraestrutura dentro de grandes departamentos jurídicos.
A Enter está presente em companhias como Bradesco, Nubank, Mercado Livre, Airbnb, LATAM Airlines e Azul, além de outras 40 grandes empresas.
Trajetória
Filho de uma pedagoga e de um advogado em Brasília, ele ingressou na faculdade de Direito aos 14 anos, quando a maioria dos adolescentes ainda estava jogando “Grand Theft Auto” ou assistindo “Glee”.
Graduou-se aos 18, atuou um ano no país e seguiu para um mestrado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Aos 21, foi admitido na Ordem dos Advogados de Nova York, o que lhe valeu um perfil no “The Wall Street Journal”.
Contratado pelo escritório de advocacia Milbank LLP, um dos mais prestigiados em Manhattan, Costa-Ribeiro recebeu a atribuição de assessorar empresas brasileiras com papéis negociados nos EUA ou listadas em bolsa no país.
Depois dessa experiência, retornou ao Brasil e trabalhou durante pouco mais de um ano na Quansa, uma “fintech”. “Tomei a decisão mais importante da minha vida: pedi demissão de um dos principais escritórios de advocacia de Nova Iorque pra trabalhar com tecnologia. Meus pais me ligaram um dia antes e me disseram que eu me arrependeria pra sempre daquela decisão. Afinal, eu tinha dedicado boa parte do meu mestrado na Harvard Law School pra conseguir aquela vaga e meu novo salário seria menos de 1/6 do anterior”, escreveu no LinkedIn.
Após esse período, retornou aos EUA para um MBA com bolsa integral na Universidade Stanford, na Califórnia. O amadurecimento do projeto de abrir uma empresa, no entanto, o levou a interromper o MBA. Em setembro de 2023 foi fundada a Enter AI.
Para obter os recursos necessários, Costa-Ribeiro bateu à porta de investidores-anjos. Dois deles – Henrique Vaz, diretor de marketing da Wildlife, unicórnio brasileiro de jogos eletrônicos, e Michael Mac-Vicar, cofundador e diretor de tecnologia da mesma companhia – se interessaram tanto que, após fazerem aportes, acabaram entrando na sociedade como fundadores.
Em setembro de 2025, o Founders Fund, do bilionário Peter Thiel, investiu US$ 35 milhões no negócio, acompanhado da Sequoia. O investimento atribuiu à Enter AI um valor de R$ 1,9 bilhão. O Founders Fund não investia no país há 12 anos. Tanto em seu caso como no da Sequoia, o último investimento foi no Nubank.