Faltou inteligência artificial a Natalia Beauty


Natalia Beauty. Foto: Divulgação

Natalia Beauty é uma coach, empresária, designer de sobrancelhas e co-colunista (junto com IA) da Folha, que enriqueceu bastante promovendo eventos como o realizado em Curitiba na semana passada, no qual expulsou uma cliente por questionar o que, afinal, ela ensina de diferente.

O vídeo da expulsão viralizou nas redes, mostrando todo o despreparo da coach para responder a uma simples pergunta. A cliente diz que não sentiu ainda o brilho no olhar necessário para desembolsar 20 mil reais em uma mentoria e pede para Natália convencê-la de que vale isso tudo. Ao invés de uma resposta, o que recebe é arrogância e esculacho: “Quem é (maior do que Natalia Beauty no segmento)? Não tem. Não tem. Você só quis causar. Aqui não é para você. Não quero você no meu grupo, você não vai ser bem-vinda.”

O coach de enriquecimento ocupa hoje uma função semelhante à de certos pastores neopentecostais. São personagens políticos fundamentais do nosso tempo, especialistas em transformar sofrimento social em responsabilidade individual — enquanto enchem os próprios bolsos, às custas de quem trabalha muito e pouco recebe em troca. Sem eles, o capitalismo perderia uma de suas formas mais eficazes de dominação.

O curioso no caso de Natalia é que, apesar de toda a retórica sobre liderança, vendas e inteligência emocional, ela não conseguiu lidar com uma objeção que qualquer vendedor minimamente treinado deveria saber responder. Certamente faltou à coach, naquele momento, o acesso às ferramentas de IA que utiliza para escrever suas colunas na Folha.

Resolvi perguntar então ao Claude e ao Chat GPT o que acharam da resposta de sua mentorada.

Claude classificou o episódio como um “desastre de gestão emocional e de imagem”, e que a pergunta da cliente “era legítima e bem razoável, queria saber o que diferenciava uma mentoria de R$20 mil das outras disponíveis no mercado”.

O Chat GPT seguiu um caminho semelhante, classificando a resposta como “demonstração de intolerância ao que é percebido como desafio: um modo de tentar construir autoridade baseado apenas em sinalização de status”.

Ofereceu ainda uma resposta alternativa, que teria sido, segundo ele, muito melhor para Natalia, do ponto de vista empresarial, de gestão de negócios e imagem da marca. Ou seja, Natália se mostrou bastante incompetente justamente naquilo que tentava vender.

A resposta do Chat:

“É uma pergunta justa. Realmente existem muitos profissionais oferecendo mentoria hoje, e alguns são excelentes. O nosso diferencial não está em dizer que somos os únicos ou os melhores para todo mundo. Está no método que construímos, nos resultados que nossas alunas relatam e no ecossistema que criamos ao redor do negócio.

Mas também acho importante dizer uma coisa: você não precisa sentir esse brilho agora. Nem toda mentoria serve para todo mundo. Se você ainda não encontrou razões suficientes para investir, talvez o mais inteligente seja não comprar neste momento. Prefiro que alguém entre porque entendeu o valor da proposta do que porque foi convencido pela emoção do evento”.

De fato, o Chat se saiu muito melhor do que Natalia em recitar clichês e baboseira empresarial para vender cursos. Talvez a coach devesse investir num ponto eletrônico de inteligência artificial para suas palestras. Com treinamento adequado, o resultado poderia soar quase tão natural quanto suas colunas de opinião.

Difícil, realmente, é tentar entender por que alguém pagaria por isso.





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