A jovem Maria Clara Facundo, de 20 anos, segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular de Brasília após passar por cirurgias na boca e na mão. Ela foi atropelada e arrastada pelo sargento do Exército Guilherme da Silva Oliveira, de 22 anos, e está sem conseguir andar desde o dia do acidente, que ocorreu em 30 de abril.
A mãe da jovem, Sara Leão, informou ao Metrópoles que Maria Clara segue sem previsão de alta hospitalar. Segundo a mãe, ela não consegue andar devido às lesões na bacia, condição que fez com que ela permanecesse na UTI.
“Ela vai continuar na UTI semi-intensiva. Vai fazer novos exames, mas não deve passar por novas cirurgias por enquanto”, relatou a mãe da jovem.
Maria Clara fez cirurgia bucomaxilar para corrigir as deformações causadas por fraturas no rosto. Também passou por um procedimento cirúrgico na mão na última segunda-feira (4/5).
O motorista acusado pelo atropelamento, o sargento do Exército Guilherme da Silva Oliveira, segue preso desde o dia 27 de abril.
O atropelamento
No dia do atropelamento, Maria Clara estava acompanhada de uma amiga e atravessava a faixa de pedestres quando foi atingida pelo carro do sargento que dava ré. O motorista, que estava em alta velocidade, passou por cima e arrastou a vítima em meio aos gritos das testemunhas que presenciaram a cena violenta.
Câmeras de segurança de um comércio registraram o momento do atropelamento, conforme mostra o vídeo acima na reportagem.
A amiga, que presenciou toda a ação, correu desesperada para prestar socorro.
Veja vídeo:
De acordo com a mãe, pouco antes do ocorrido, a jovem esteve em uma distribuidora de bebidas da região, cujo proprietário é conhecido da família. “Ela ficou lá por pouco tempo. Um homem teria mexido com ela, mas ela nem se lembra”, relatou.
Prisão e investigação
O Exército Brasileiro instaurou um procedimento administrativo para apurar os fatos e a conduta do sargento Guilherme da Silva Oliveira no atropelamento da jovem.
Em nota, o Comando Militar do Planalto (CMP) afirmou que vai colaborar com as investigações e fornecer informações necessárias ao esclarecimento do caso.
No comunicado, a corporação ainda cita que outro militar, que estava dentro do carro no momento do atropelamento, também será investigado.
“O Comando Militar do Planalto reforça que não compactua com desvios de conduta de seus integrantes e repudia veementemente quaisquer atitudes que contrariem os valores e a ética militar, atuando com rigor na apuração de eventuais irregularidades, em colaboração com os órgãos competentes”, acrescentou.
Guilherme foi preso na noite do dia 27 de abril e encaminhado à carceragem do Exército. No dia 28 de abril, a Justiça do Distrito Federal decretou a prisão preventiva do motorista após audiência de custódia.
De acordo com o delegado da 29ª Delegacia de Polícia, Johnson Kenedy, o sargento responderá por tentativa de homicídio após o entendimento de que o ocorrido está fora do que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece.
Durante o interrogatório da Polícia Civil (PCDF), Guilherme alegou ter dado marcha ré no local para conseguir acessar o retorno da via, no sentido contrário. No entanto, o retorno fica a quase um quilômetro de distância do estacionamento onde estava.
No depoimento, o sargento ainda explicou que não parou para prestar socorro por estar em “choque” e com “medo” de ser linchado pelas pessoas que estavam próximas ao local do acidente.







