Serviço da SES-DF engloba triagem neonatal e assistência em todas as faixas etárias
Fonoaudiólogos, otorrinolaringologistas e outros profissionais da área participam, nesta semana (17 e 18), do I Simpósio de Saúde Auditiva para discutir a linha de cuidado oferecida pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). O objetivo é promover atualização científica, troca de experiências e debate sobre estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento.
Durante o evento, especialistas destacaram a importância de um cuidado contínuo: iniciado ainda no nascimento, acompanhando o paciente ao longo de todas as fases da vida. A proposta integra ações que vão desde a triagem neonatal à reabilitação auditiva, garantindo assistência integral.
Segundo a coordenadora de Atenção Secundária e Integração de Serviços (Coasis) da SES-DF, Juliana Oliveira Soares, a iniciativa fortalece a organização da rede. “Reunir profissionais comprometidos com a saúde auditiva é fundamental para consolidar a identidade e qualificar ainda mais os serviços oferecidos à população”, afirma.
Atenção desde pequeno
O cuidado com a audição começa ainda na maternidade. O DFpossui uma das maiores coberturas de Teste Auditivo Neonatal (Teste da Orelhinha) do País, com 95% dos nascidos vivos examinados, segundo dados do Ministério da Saúde.
Bebês que apresentam alteração no teste são encaminhados para avaliação audiológica completa. Caso seja confirmada a perda auditiva, o acompanhamento é realizado por uma equipe multiprofissional, com definição do tratamento adequado, que pode incluir o uso de aparelhos auditivos ou implante coclear.
O diagnóstico precoce é decisivo para o sucesso desse tratamento. Antes, a detecção de perda auditiva era tardia, feita por volta dos 7 anos de idade da criança. Hoje, esse tempo diminuiu: quando há falha na triagem, a idade entre o teste e o reteste passou para menos de 6 meses.
Contudo, a referência em fonoaudiologia da SES-DF, Ocânia da Costa Vale, destaca que a identificação desse problema nas fases iniciais de vida pode apresentar alguns desafios. “Na primeira infância, atrasos na fala podem ser confundidos com outras alterações do desenvolvimento”.
Desafios e assistência
A saúde auditiva do trabalhador também esteve em pauta no simpósio. O uso correto de equipamentos de proteção individual (EPIs) e do acompanhamento contínuo para evitar danos permanentes à audição mostraram-se fundamentais.
Outro ponto de atenção é o aumento de casos de perda auditiva entre adolescentes e adultos. “O uso prolongado de fones de ouvido, em volumes elevados, seja no estudo ou no lazer, tem contribuído para o crescimento de casos de perda auditiva progressiva”, reforça a fonoaudióloga da SES-DF.
Na rede pública, o início do atendimento para cuidar da saúde auditiva ocorre nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Quando é verificada a necessidade, as equipes desses locais realizam o encaminhamento aos serviços especializados.
Pacientes que mostram perda auditiva, tanto do DF quanto do Entorno, contam com atendimento ambulatorial em dois serviços de referência: o Centro Educacional da Audição e Linguagem Ludovico Pavoni (Ceal-LP) e o Hospital Universitário de Brasília (HUB). Nessas unidades, são realizados diagnóstico, adaptação de aparelhos auditivos e reabilitação. O implante coclear é ofertado exclusivamente pelo HUB.