Mais de 1,4 milhão de absorventes foram enviados a regiões do DF


Distribuição garante dignidade menstrual e desenvolve educação em saúde para combater estigmas e desinformação

De 2025 até o final do primeiro trimestre deste ano, mais de 1,4 milhão de absorventes foram distribuídos a diversas regiões do Distrito Federal. Desse total, 84% já foi dispensado à população que menstrua. A iniciativa busca reforçar equidade de gênero, justiça social e garantia de direitos a esse público.

O programa nacional Dignidade Menstrual possui um braço no DF e, além de ações educativas, oferece absorventes gratuitamente a quem vive em situação de vulnerabilidade. No âmbito do projeto, a Unidade Básica de Saúde (UBS) 15 de Ceilândia, por exemplo, desenvolve atividades focadas em menstruação e saúde sexual nas escolas abrangidas pelo território.
 

Os absorventes são oferecidos gratuitamente a quem vive em situação de vulnerabilidade. Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde DF

Médica de Saúde da Família e Comunidade, Vilma Gomes reforça a importância da medida educativa para ampliar o diálogo acerca do tema. “Muitas crianças não conversam sobre menstruação em casa por diversos motivos, especialmente pela dificuldade dos responsáveis em abordar ou explicar o assunto. Percebemos, no entanto, que os ciclos têm começado cada vez mais cedo, revelando despreparo, dúvidas e medo”, avalia. 

Durante a ação na UBS 15 de Ceilândia, as profissionais explicam sobre menstruação de forma acessível e didática, apresentando o absorvente, como utilizá-lo e descartá-lo. Para incentivar o cuidado e o diálogo, a unidade ainda prepara kits com sabonete líquido e informações. “Por meio dessas atividades, notamos que as meninas sentem mais liberdade para perguntar sobre o tema”, diz Gomes. 
 

Durante as atividades na UBS 15 de Ceilândia, por exemplo, profissionais explicam sobre menstruação de forma acessível e didática.  Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde DF

Inclusão

No DF, os absorventes podem ser retirados por mulheres cis, pessoas trans e não binárias que menstruam e estão em situação de vulnerabilidade, entre 10 e 49 anos. O programa inclui ainda estudantes das escolas públicas, com cadastro no CadÚnico. Somente na capital federal, são quase 320 mil pessoas enquadradas nesses critérios. 

A gerente de Atenção à Saúde de Populações em Situação Vulnerável e Programas Especiais da Secretaria de Saúde (SES-DF), Denise Ocampos, destaca como a oferta gratuita de absorventes produz efeitos em diversos aspectos. “No biológico, atua como prevenção de infecções. No psicológico, reduz o estigma e o sofrimento. No social, aumenta a permanência escolar e a inclusão, além dos aspectos econômico e estrutural, reduzindo as desigualdades.”
 

No Distrito Federal, preenchendo os critérios, é possível buscar absorventes em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e hospitais da SES-DF.  Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde DF

Porém, segundo a gestora, um dos desafios é a falta de conhecimento das pessoas sobre a oferta gratuita e a identificação de quem está autorizado a retirar o material. “Há também algumas barreiras culturais e estigmas, como vergonha, que causam resistência na busca pelos absorventes. Além da dificuldade de acesso a localidades que distribuem, como tempo, transporte e dinheiro.”

Como participar

A oferta de absorventes é realizada em todas as UBSs e hospitais do DF, basta solicitar. Para pegar, contudo, é preciso preencher, principalmente, o requisito da vulnerabilidade, avaliado por um profissional da saúde no acolhimento. Identificada a situação, mesmo que a pessoa não seja cadastrada em sistemas do governo, como o CadÚnico, será possível retirar.



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