Ignorar preços regionais no Steam pode matar seu jogo em metade do mundo, alerta especialista


A precificação regional no Steam não é apenas um detalhe técnico, mas sim a diferença entre conquistar um mercado ou ser bombardeado de reviews negativas por jogadores de um país inteiro. O alerta vem de Tom Kaczmarczyk, fundador e CEO da empresa de negócios IndieBI, que falou sobre o tema em uma palestra no Digital Dragons 2026.

Segundo Kaczmarczyk, é compreensível que desenvolvedores comecem a definir o preço de seus jogos em dólares americanos, já que “você tem uma compreensão do que é um jogo de US$ 20 versus um de US$ 40 versus um de US$ 60”, mas ele adverte que esse valor muitas vezes representa “menos da metade de toda a sua base de jogadores”. Para embasar o argumento, ele revelou dados mostrando que para a maioria dos títulos, as compras em USD respondem por apenas entre 20% e 60% da receita global no Steam.

Se você apenas se fixar no seu preço em dólares, estará efetivamente ignorando metade do mundo, metade da sua base de jogadores, muitas vezes mais do que isso, em termos de vendas por unidade. E você pode acabar, sem querer, alienando algumas regiões, subprecificando outras e cometendo erros em geral”, disse o especialista.

Um dos exemplos citados foi o da Polônia, país onde os preços de jogos tendem a ser comparativamente mais altos em relação a outros mercados. Para quem ignora esse ajuste, Kaczmarczyk trazia um aviso direto: “Ignore a precificação regional e nações inteiras vão te odiar.” Ele complementou que desenvolvedores e publishers que ainda não corrigiram seus preços no país “percebem uma supressão substancial de vendas” e, ao corrigir, “veem um aumento”.

Localização ruim pode ser pior do que nenhuma localização

Além da precificação, Kaczmarczyk dedicou parte da palestra ao tema da localização de idiomas, classificando-a como “crítica” em determinadas regiões. Países como Tailândia, Vietnã e China foram citados como exemplos onde a ausência de localização inviabiliza vendas expressivas. Mas o especialista foi além: não basta traduzir, é preciso traduzir bem. “Se a localização para o chinês for ruim”, ele avisa, alguns jogadores “vão te massacrar nas reviews”.

Um dos dados apresentados por ele mencionou o caso de um jogo, não identificado pelo nome, mas descrito como um “jogo online em grupo muito popular” no qual os desenvolvedores viram mais de 60% de todas as unidades compradas na China serem reembolsadas devido a problemas de localização. O especialista anda traz outro aviso: “Seu público pode te odiar em uma língua que você não entende”, destacando que a barreira do idioma dificulta muito o monitoramento de reclamações feitas em reviews e pedidos de reembolso.

Fonte: GamesRadar+



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