Um conflito familiar acabou em uma abordagem da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e na prisão da cuidadora de idosos Aline da Silva Souza (imagem em destaque), 41 anos. A mulher denuncia violência policial ao ter sido arrastada pelos cabelos e derrubada no chão antes de ser algemada. O episódio aconteceu em frente à casa da vítima, por volta das 16h do último domingo (3/5), na Quadra 306, em São Sebastião (DF).
Nas imagens cedidas ao Metrópoles é possível ver um policial militar puxando Aline pelo cabelo e a arremessando no chão logo depois. Outra filmagem feita por familiares e vizinhos mostra o PM empurrando o rosto e o corpo da mulher contra o asfalto, até conseguir algemá-la.
As imagens também flagraram o momento em que o genro de Aline, que não foi identificado, tenta evitar a ação. Outro policial, então, reage com spray de pimenta.
O local tinha crianças pequenas próximas. Segundo relatos de testemunhas, após o uso do spray, algumas delas teriam passado mal e sido amparadas pela própria população. As imagens mostram algumas crianças chorando.
O que diz a PMDF
A Polícia Militar diz ter sido acionada após uma confusão envolvendo a mulher, a mãe dela e a filha. Os policiais militares receberam a informação de que a neta teria batido na avó.
A corporação relatou que houve resistência ao tentar conduzir a mulher denunciada à delegacia. A mãe e o marido da mulher teriam partido para cima da equipe, quando foram contidos e levados à delegacia, onde assinaram termo circunstanciado por resistência e desobediência. De acordo com os relatos do PM condutor da ocorrência, todos estariam alcoolizados no local.
“Ao chegarem ao local indicado para averiguar a denúncia de violência doméstica, os policiais militares foram impedidos de realizar a abordagem por familiares da suspeita. Houve desobediência às ordens legais e resistência ativa, o que gerou um cenário de hostilidade contra a guarnição”, informou a PMDF.
Diante da agitação no local e da necessidade de garantir a integridade da equipe, a PM disse que foi solicitado apoio de outros militares da região. “Os policiais utilizaram o uso seletivo da força para conter os resistentes e garantir a continuidade da diligência”, relatou.
“Ação violenta”
O advogado da mulher, Lucas Fernandes, disse que houve truculência na abordagem. “Eles queriam entrar na residência de Aline para conduzir a filha dela, que estava com uma criança no colo, para a 30ª DP. Nesse momento, falaram palavras de baixo calão e agiram de forma violenta contra Aline, que foi arrastada pelos cabelos e jogada no chão sem qualquer justificativa”, afirmou.
Aline foi conduzida pelos policiais à 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião) e passou por exame de corpo e delito no Instituto Médico Legal (IML).
Após ser liberada, Aline e genro foram atendidos em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região. Ela teve lesões no rosto, no ombro e no joelho, enquanto o genro ficou com ferimentos em um dos olhos e na perna. De acordo com o advogado, os ferimentos foram causados na abordagem policial.
Veja imagens das lesões:
Segundo o advogado de Aline, o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) será acionado para investigar os fatos. “Considerando a ação policial desproporcional e injusta hoje iremos representar os fatos na Ouvidoria do Ministério Público do DF (MPDFT), que trata sobre o controle externo da atividade policial”, explicou o advogado.






