Trânsito mais seguro é questão de saúde pública


No DF, acidentes causam tanto óbitos quanto doenças cardíacas. Já atendimentos a feridos gera pressão assistencial nos hospitais

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) é responsável por acompanhar os números de doenças e agravos que possam representar uma ameaça à população da capital. Nesse sentido, a pasta alerta para o impacto dos acidentes de trânsito na sociedade. 

“O trânsito mata jovem, lota Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), custa caro, mas é evitável”, afirma a titular da SES-DF no Comitê Gestor do Programa Vida no Trânsito do DF (PVTDF), Surama Oliveira. 
 

Somente em 2025, foram 259 óbitos por acidentes de trânsito no DF e pelo menos 188 atendimentos nas emergências dos hospitais.  Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde DF

Conforme os dados do PVTDF, no ano passado foram 259 óbitos no DF, sendo 52% nos fins de semana (sexta, sábado e domingo). Entre as vítimas, 41% eram pedestres e 33% eram motociclistas. Quase a metade dos óbitos (46%) ocorreram por atropelamentos e 39% por colisões. Do total de ocorrências, 76% envolveram homens. Já em relação às faixas etárias, 40% das vítimas tinham entre 31 e 59 anos. 

Os acidentes de trânsito causam, segundo Oliveira, um número de mortes semelhantes, por exemplo, às de insuficiência cardíaca e doenças do coração hipertensivas – ambas têm média anual de 258 mortes no DF.

Além disso, o fato de vitimar pessoas jovens afeta diretamente a expectativa de vida média da população. “Se tratarmos o trânsito como tratamos epidemias ou desastres, a sociedade deixaria de ver mortes no trânsito como fatalidade e passaria a vê-las como ameaça inaceitável”, avalia a servidora. 

Atendimentos de urgência

Além dos óbitos, os acidentes no trânsito também são responsáveis por ampliar a busca por atendimento em hospitais. “Esses eventos exercem pressão significativa sobre a rede assistencial, especialmente nos serviços de urgência, emergência, ortopedia, neurocirurgia, cirurgia do trauma e terapia intensiva”, explica a gerente de Apoio aos Serviços de Urgência e Emergência da SES-DF, Thaise Braga. 
 

Vítimas de acidente de trânsito necessitam de atendimento imediato de alta complexidade nos hospitais, demandando mais profissionais. Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde DF

Os dados do programa mostram que a maioria dos pacientes chega às unidades com traumatismo cranioencefálico (lesão física no cérebro), danos no tórax ou no abdômen e politraumatismo – dentre outras condições -, necessitando apoio da SES-DF, inclusive por longos períodos de recuperação.

“Essas ocorrências possuem elevado impacto sobre a capacidade da rede pública, especialmente por envolverem vítimas com traumas de alta complexidade, frequentemente necessitando de atendimento imediato, suporte avançado de vida, procedimentos cirúrgicos emergenciais, internação hospitalar e, em muitos casos, cuidados intensivos prolongados”, acrescenta Braga.



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